
Muitas vezes, a gente vê por aí pessoas doando seus cães de estimação. E agora me ocorreu que nunca vi gente doar seus gatos… bom, isso eu ainda teria que pesquisar para ver se é verdade, foi só um pensamento. Mas voltando aos cachorros, isso é muito comum. São vários os motivos que levam uma pessoa a se desfazer de seu amigo canino: trabalho excessivo, gastos idem, alergias, gravidez, temperamento agressivo ou destrutivo do cachorro (às vezes do dono…tb), etc.
Muitos desses motivos poderiam ser prevenidos se antes de adquirir o cachorro a pessoa se informasse a respeito das características da raça, por exemplo. Afinal, se você tem nojo de baba, não deve escolher uma raça que babe. Ou, se você não tem muito dinheiro para gastar, deve investir em raças menos propensas a problemas de pele, olhos ou ouvidos, por exemplo. Ou se você mora em apartamento, deve escolher uma raça que não fique latindo por qualquer motivo. Como podemos ver, a escolha errada, pode nos trazer problemas que nos levará a não mais querer conviver com o cachorro. E muita gente o trata como um ser inanimado e sem sentimentos. O que já sabemos que não é verdade.
Mas tem muita gente que ainda pensa assim: se não der certo eu dou. E não pensa que será um sofrimento enorme para a seu cachorro sair do seu convívio pois seu cachorro já os tem como família. Sem exageros, será uma criança abandonada numa família desconhecida. Por causa do livro que escrevi (http://www.felizpracachorro.com.br/), sou sempre consultada a respeito e sempre falo as mesmas coisas.
E a primeira pergunta é: você sabe quanto tempo vive um cachorro?
E a despesa com alimentação e remédios? Sabe que é por peso? Ou seja, quanto maior mais ele come e mais ele consome em termos de dose de remédio, caso precise? Ou ainda você sabe o tamanho do xixi e do seu cocô, está disposto a limpar? Ou vai soltar na rua para ele fazer cocô na porta dos outros, para que os outros limpem?
A maioria não se faz pergunta nenhuma: acha todos os filhotes fofos e lindos e compra sem pensar que filhote de elefante também é fofo e lindo. O problema é depois que cresce.
Se realmente não tiver jeito, procure doar para pessoas conhecidas porque eu vi um caso muito triste numa família. Por ter sido doado a um desconhecido, o cachorro foi encontrado abandonado na rua, cheio de doenças (sarnas, bicheiras, pulgas e carrapatos), magro e faminto.
Você imagina o que foi encontrar um cachorro que foi criado em casa com todo amor e carinho nestas condições? Os antigos donos quase morreram de tristeza quando vieram a cadela na rua, chamaram pelo nome e ela atendeu. Nunca mais foi a mesma coisa: nem a cadela, nem a família.
Hoje ela já faleceu, mas com certeza, um dos motivos foi de tristeza. Neste caso, o cachorro foi doado porque foi comprado para ser micro-toy e ele era um poodle normal, de tamanho médio e virou um cachorrão, totalmente fora dos padrões esperado pela família. Além disso, o cachorro foi comprado para ser de uma das filhas. }como ela se comprometeu a cuidar e não cumpriu, acabou sobrando para os pais que não gostaram nada do novo serviço. E isso é muito comum: a criança diz que vai cuidar e não cuida. daí, eu digo: o cachorro é do adulto, se for comprar para a criança cuidar, esqueça.
Doar, tem que ser para alguém que realmente queira, que sabe do trabalho que dá, da despesa e da atenção que demanda. Desculpe mas isso me tocou muito e às vezes a gente não tem dimensão do que as pessoas que a gente não conhece são capazes de fazer. Muitas vezes, nem as que conhecemos.
E se você acha que é exagero, olhe à sua volta, veja a população de cachorros de rua que existe. Com certeza, começaram a partir de cachorros abandonados por seus donos à própria sorte e foram cruzando e gerando mais cachorros. Visite um centro de zoonoses ou associação de proteção animal e verá a quantidade de cachorros abandonados. É triste ver o que somos capazes de fazer.
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Ana Cláudia Bessa
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